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sexta-feira, 9 de julho de 2010

Liberdade;

- Você me enganou?
- Não, me apaixonei
- Você me amou?
- Não, me apaixonei.
Seria mais fácil se ela não tivesse suspirado tão forte, e deixado escapar tanta tristeza. Aquilo deixou tudo em evidência, ele percebeu. Era o fim dos dois, e o começo dela. Dessa vez, a cinderela ficaria além da meia noite – muito além. O último abraço foi tão difícil quando o primeiro; não sentir nunca mais aquele perfume tão de perto parecia tão amedrontador quando senti-lo para sempre. Ela arriscou.
Enquanto ela o deixava para trás, sentia o assopro da liberdade. Aquele vento que ao mesmo tempo a fazia protagonista de um filme americano qualquer, a fazia tremer de frio – era medo - desesperadamente. Era uma extrema vontade de voar céu acima, com um medo de cair no chão inferno abaixo. Seja como for, já estava feio. Ela sobreviveria a falta de oxigênio e ao calor, ela era forte. Uma garota em busca da felicidade.
Atravessar a rua nunca foi tão difícil. Eu diria que naquele momento, ela era uma placa de transito, daquelas que todos os motoristas são obrigadas a olhar: Não vire, não ande rápido, não bata. Ela tinha acabado de cometer um acidente, e ao mesmo de salvar uma vida. A sua.
Ela não se sentia bonita – como se isso fosse possível – se sentia triste. Mal sabia ela, que aquela lágrima funcionava mais do que qualquer maquiagem da M.A.C.
Depois de ver centenas de carros passar, desistiu que mudaria o rumo de sua vida naquele exato momento. Queria conhecer e não se apaixonar pelo primeiro cara que visse – Alguém aí quer dar uma carona para uma pobre donzela ferida (ou seria um donzela malvada e sem coração?).
O destino estava literalmente em suas mãos. Aquele sinal, ou quem o visse, mudaria toda a sua vida. Eu diria que era impossível não se enxergar aquelas mãos brancas e macias com aquele esmalte rosa pink meio descascado – existe algum sinal de ansiedade maior que esmaltes descascados? acho que não – que ela pintara no dia anterior.
Depois de alguns instantes, um carro foi parando e se aproximando devagar – o destino vinha lentamente em um conversível cor prata, ela queria mais o que? Odeio garotas sortudas – como o se lugar onde ela se encontrava por acaso, fosse o destino de sempre.
- Gostaria de uma carona senhorita?



@depoisdosquinze

Famosa ansiedade.

Sentir cheiro podre em torta de morango. Mexer em terra limpa e cismar que saiu com as mãos imundas. Cavar um poço e se jogar no lugar da água. Comparações bobas que representam algo que você sempre faz: sofrer por antecipação. Passamos por esse mal nas situações cotidianas. Para começar o dia, o simples fato de esquecer uma coisa em casa e gastar 10 minutos pra buscar e ir pra escola, já implica, na sua cabeça, que você vai chegar atrasada e o professor não vai te deixar entrar. O detalhe é que você está adiantada meia hora, e gasta 15 minutos pra chegar na escola. Façam as contas e vão chegar antes do sinal bater. O bichinho do mal que comanda isso é a famosa ansiedade. Suas unhas estão no talo, a insônia é sua melhor amiga e a sensação de nó na garganta sufoca. E isso tudo não é exclusividade de um assunto só. Uma prova no dia seguinte é o inferno. Imaginar se as pessoas vão ou não gostar da sua roupa na festa sábado então, mortalmente consumidor de duas horas preciosas de sono. Não adianta acordar um belo dia e falar “hoje eu vou me controlar e não ser ansiosa”. A ansiedade é característica biológica do ser humano – e é desagradável. O vazio interior é inevitável, o que causa uma baixa na auto-estima, deixando-nos com a sensação de incapacidade perante as situações, desistindo do jogo antes de jogar, desistindo da prova antes de ler, desistindo da vida antes de viver. Aquela ansiedade gostosa de espera pode te nocautear quando o que se espera não vem. Não é possível acabar com a ansiedade, mas podemos dar uma bela lição em nós mesmas, nos conhecendo melhor e tentando entender nossos limites e medos. Ter mais tato e menos “será que” na vida é o ponto de partida para qualquer controle de sofrimento antecipado. Fazer coisas que você gosta e não ligar para o que o mundo vai dizer também. Você só deve contas de sentimentos interiores a você, por mais que isso seja egoísta.